Príncipe Harry acusa tabloides de transformarem vida de sua esposa em 'inferno'
O príncipe Harry, à beira das lágrimas, acusou os tabloides, nesta quarta-feira (21), de transformarem a vida de sua esposa, Meghan, em um "verdadeiro inferno", durante o julgamento em Londres do grupo editorial responsável pelo Daily Mail e pelo Mail on Sunday.
Os dois jornais britânicos, acusados de grampear telefones e outras formas de "obtenção ilegal de informações" sobre Harry e outras seis pessoas, incluindo o cantor Elton John e seu marido, David Furnish, afirmaram na terça-feira que usaram fontes "legítimas" para suas reportagens.
Harry passou cerca de duas horas e meia, nesta quarta-feira, respondendo a perguntas do advogado da Associated Newspapers Ltd (ANL), que publica os dois jornais, antes de seu próprio advogado, David Sherborne, lhe perguntar como o julgamento o estava afetando.
"É fundamentalmente errado nos submetermos a isso novamente quando tudo o que queríamos era um pedido de desculpas e responsabilização. É uma experiência horrível", respondeu o príncipe no terceiro dia do julgamento no Tribunal Superior de Londres.
Os tabloides "continuam a me atacar; transformaram a vida da minha esposa em um verdadeiro inferno", declarou o filho caçula do rei Charles III, com a voz embargada pela emoção.
Quando Meghan foi alvo de "ataques cruéis e persistentes", ou de artigos "por vezes racistas", Harry começou a sentir aversão pela "postura consistente de não tomar medidas contra a imprensa".
"Estou decidido a exigir responsabilização" à editora dos tabloides Daily Mail e Mail on Sunday, "pelo bem de todos. Acredito que é de interesse geral", afirmou.
Harry culpa a mídia pela morte de sua mãe, a princesa Diana, falecida em um acidente de trânsito, em 1997, em Paris, enquanto tentava fugir de paparazzi.
- "Obtenção ilícita de informação" -
Vestindo um terno escuro e gravata listrada, o príncipe, de 41 anos, subiu à tribuna, jurando sobre a Bíblia, antes de responder às perguntas da equipe jurídica da ANL, no terceiro dia de um julgamento que deverá durar nove semanas.
Ao sair do sala, ainda enxugava as lágrimas.
Além de Harry, Elton John e seu marido, também são autores no processo as atrizes Liz Hurley e Sadie Frost, uma ativista pelos direitos civis e contra o racismo, Dorren Lawrence, e um ex-político britânico, Simon Hugues, do Partido Liberal Democrata.
Doreen Lawrence ficou conhecida no Reino Unido por seu trabalho de combate à discriminação racial após o assassinato de seu filho, Stephen, em 1993.
Os advogados dos denunciantes indicaram que os supostos atos ilegais foram realizados entre 1993 e 2011, embora alguns tenham ocorrido até 2018.
Segundo os advogados, os tabloides empregaram detetives particulares para escutar ligações telefônicas e obter informações privadas, como contas detalhadas de telefone ou históricos médicos, assim como extratos bancários.
No entanto, Anthony White, advogado da ANL, afirmou, na terça-feira, que o julgamento demonstrará que a empresa "apresenta um relato convincente de um padrão de obtenção legítima de fontes para os artigos".
"Não houve vazamento de meus círculos sociais, quero deixar isso absolutamente claro", respondeu o príncipe em sua declaração aos advogados da ANL nesta quarta-feira.
- Terceiro julgamento do príncipe -
Este julgamento é o terceiro e último caso apresentado pelo príncipe contra uma editora britânica de jornais.
Harry iniciou sua luta contra os tabloides em 2023, tornando-se o primeiro membro da realeza britânica a depor em um tribunal em mais de um século, ao testemunhar em um processo contra o Mirror Group Newspapers (MGN).
Na ocasião, o Tribunal Superior de Londres decidiu que Harry foi vítima de um hackeamento telefônico e determinou uma indenização de 140.600 libras (cerca de 1 milhão de reais) por perdas e danos.
Em janeiro de 2025, Harry chegou a um acordo financeiro com o editor Rupert Murdoch.
O News Group Newspapers (NGN), de Murdoch, apresentou desculpas a Harry "pela espionagem telefônica, vigilância e o uso indevido de informação privada por parte de jornalistas e investigadores privados" instruídos pelo grupo.
Harry afirmou, nesta quarta-feira, que o processo contra a ANL representa uma "experiência traumática recorrente" e uma "repetição do passado".
"Nunca acreditei que minha vida estivesse aberta à comercialização por essas pessoas. A alegação de que não tenho direito à privacidade é repugnante", acrescentou.
Segundo documentos escritos pelos advogados do príncipe, revelados na segunda-feira (19), no primeiro dia do julgamento, as práticas dos tabloides "perturbaram profundamente" Harry.
As intromissões do tabloide em sua vida privada o deixaram "extremamente paranoico" e o isolaram, admitiu nos documentos.
W.al-Qassim--BT