Bahrain Telegraph - Evacuados por incêndios na Espanha fugiram de casa com a roupa do corpo

Evacuados por incêndios na Espanha fugiram de casa com a roupa do corpo
Evacuados por incêndios na Espanha fugiram de casa com a roupa do corpo / foto: © AFP

Evacuados por incêndios na Espanha fugiram de casa com a roupa do corpo

Os moradores das zonas afetadas pelos incêndios na Espanha receberam ordem para deixar suas casas e tiveram apenas alguns minutos para levar o que pudessem. Alguns tiveram que deixar para trás seus animais de estimação.

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"Todos tiveram que sair do povoado às pressas porque era uma situação muito crítica. Meu marido e eu saímos apenas com o que conseguimos pegar, a documentação e alguma roupa", contou à AFP Olga Congacha, de 50 anos.

"Fiquei muito nervosa, com um pânico que eu não sabia se chorava ou o que", afirmou essa deslocada de Robledo de Chavela, localidade situada a cerca de 70 quilômetros de Madri.

As autoridades permitiram que ela entrasse em sua casa brevemente, neste domingo (26), para pegar a medicação de que precisa para se submeter a uma cirurgia. Ao entrar, encontrou sua casa coberta de cinzas.

Os incêndios devastaram dezenas de milhares de hectares, e a ministra para a Transição Ecológica, Sara Aagesen, afirmou que um dos focos na província de Ávila é o "maior incêndio florestal da história recente" do país.

– "Nem uma toalha" –

Roberto Velasco, um chileno de 84 anos, saiu de casa em Navalagamella, a cerca de 50 quilômetros de Madri, com uma mala pequena e um disco rígido com cópias das fotos de sua família, acumuladas nos 50 anos em que vive na Espanha.

"Eu nem sabia o que ia trazer porque pensava: minha casa vai queimar inteira. Então, vou levar um pouco de música ou alguns livros e o disco rígido", disse. "Trouxe somente o disco rígido e a roupa que peguei, mas não trouxe nem uma toalha".

Em um abrigo em Villamanta, a oeste de Madri, José Luis, de 81 anos, checa pelo celular as câmeras de segurança de sua casa.

Ele e a esposa tiveram alguns minutos para deixar seu lar em Aldea del Fresno e saíram praticamente com a roupa do corpo.

Mais tarde, a polícia permitiu que voltassem por meia hora para pegar alguns medicamentos, e sua esposa aproveitou para deixar uma porção dupla de ração para seu canário, Pavarotti. "Ele tem uma voz de anjo. Você põe música e ele não para", contou.

Seu retorno foi breve - só teve tempo de regar as plantas e pegar um aparelho de barbear. Assim como outros deslocados pelo fogo, José Luis pediu para ser identificado apenas pelo primeiro nome porque teme a exposição pública em um momento de vulnerabilidade.

– Gatos "ferozes" –

Rosa, de 56 anos, não queria deixar Robledo de Chavela sem seus gatos, mas os animais que resgatou da rua "são ferozes", por isso não conseguiu levá-los consigo. "Não dá para pegá-los, a menos que você vá com uma rede, com um puçá, com alguma coisa", relatou.

A mulher ligou para a sociedade protetora dos animais, mas conta que não permitiram que entrassem na localidade. Por fim, a polícia a obrigou a deixar sua casa e ela foi uma das últimas a sair, quando as chamas quase alcançavam o local.

"Meio que me enganaram dizendo que iam tirar os gatos, então eu disse que tudo bem. Mas, claro, não havia nenhuma intenção de tirar os gatos, vieram atrás de mim", disse.

– "Esgotadas" –

Enquanto descansava em um centro esportivo em Villamanta, Margarita, de 70 anos, apontava para as manchas em sua camiseta, que está usando há quatro dias desde que foi retirada de Aldea del Fresno.

O rei Felipe VI e sua esposa, Letizia, visitaram esse abrigo improvisado neste domingo.

"A rainha veio nos cumprimentar, e eu estava com esta coisa suja", disse Margarita.

Sua filha, Helena, de 45 anos, explicou que saíram com a roupa do corpo.

"Pensamos que voltaríamos no dia seguinte. Estamos muito cansadas, esgotadas, com vontade de voltar para casa", desabafou.

X.al-Hawaj--BT