Forte terremoto deixa 69 mortos e destruição na Colômbia
Um forte terremoto atingiu a Colômbia nesta segunda-feira (10), deixando pelo menos 69 mortos e dezenas de edificações destruídas no oeste do país, segundo as autoridades.
O terremoto de magnitude 7,4 ocorreu às 7h34 no horário local (9h34 de Brasília), segundo os serviços geológicos da Colômbia e dos Estados Unidos. Seu epicentro foi localizado perto de San José del Palmar, em Chocó (oeste), uma região pobre onde, até o momento, não há relatos de vítimas.
A região cafeeira de Risaralda é, até o momento, a mais afetada, com 40 mortos e dezenas de edifícios destruídos, segundo um balanço oficial que aumenta rapidamente com o passar das horas. Na vizinha Manizales, foram registradas duas mortes e, no departamento de Valle del Cauca, 27.
Jornalistas da AFP observaram edifícios destruídos e pessoas feridas sendo evacuadas em Manizales e Cali.
Em Pereira, capital de Risaralda, há "muitas pessoas feridas", outras "presas em meio aos escombros" e "a situação é crítica" na cidade, afirmou o prefeito Mauricio Salazar, em entrevista à Caracol Radio.
Em Manizales, uma das torres de sua emblemática catedral se desprendeu.
"Há muitíssimos edifícios com danos estruturais ou em suas fachadas. Neste momento, o trânsito está colapsado, as pessoas não querem voltar para suas casas por medo de um novo tremor", disse à AFP Jaime Zuluaga, administrador de 50 anos, na cidade.
Seis aeroportos do oeste do país, entre eles os de Pereira e Manizales, suspenderam as operações enquanto são avaliados os danos provocados pelo terremoto, informou a Aeronáutica Civil.
O presidente Abelardo de la Espriella anunciou uma "reunião de urgência" em Bogotá.
"Estarei lá com toda a equipe, tomando pessoalmente decisões e medidas", declarou de dentro de um avião.
O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, expressou solidariedade ao novo governo, do qual é um aliado próximo. O governo de Donald Trump "está disposto a prestar apoio ao povo colombiano e ao governo" de De la Espriella, afirmou no X.
– "Muito forte, fortíssimo" –
Os departamentos afetados enfrentam problemas de comunicação.
"Não há eletricidade nem sinal de celular, foi muito forte, fortíssimo, coisas da casa caíram (...) os animais ficaram muito assustados", disse à AFP Martha Estrada, de 66 anos, na região cafeeira.
Em Cali, há pelo menos 20 estruturas destruídas, com pessoas presas em seu interior, segundo as autoridades locais.
Em um parque lotado de pessoas evacuadas, Ana Milena Grijalba se recuperava do choque: "Todos começamos a rezar (...) outros chorávamos, mas graças a Deus estamos bem".
A governadora de Chocó, Nubia Carolina Córdoba, informou no X que há "feridos" e "danos graves nas edificações". Um vídeo obtido por um jornalista da AFP mostra um edifício que desabou em Quibdó, a capital da região.
O futebol também foi afetado. As partidas restantes da quarta rodada do campeonato da primeira divisão foram adiadas após o terremoto, informou a entidade que administra o futebol local.
O terremoto também foi sentido em países vizinhos. Foi percebido na capital equatoriana, Quito, e em diversas províncias do Panamá, assim como em algumas regiões da Venezuela.
Em 24 de junho, um terremoto duplo, de magnitude 7,2 e 7,5, causou mais de 6 mil mortes e destruição na Venezuela.
"Percebemos porque as luminárias iam para lá e para cá. Eu senti, mas achei que fosse uma tontura minha, porque às vezes tenho tonturas", disse Ana Hernández, dona de casa de 66 anos, na cidade venezuelana de Maracaibo.
– Oferta de ajuda –
O prefeito Carlos Galán afirmou à Blu Radio que, na capital, foram registradas até o momento apenas rachaduras superficiais em algumas casas e edifícios.
A presidente do México, Claudia Sheinbaum, ofereceu "todo o apoio que a Colômbia precisar".
Os presidentes de direita do Chile e do Equador manifestaram solidariedade à Colômbia.
O presidente equatoriano Daniel Noboa juntou-se às ofertas de ajuda com 47 socorristas e cães especializados, segundo uma mensagem publicada no X.
Israel também ofereceu ajuda, em meio à retomada das relações diplomáticas após a chegada ao poder do ultradireitista De la Espriella.
Q.al-Nuaimi--BT