África do Sul busca impedir leilão nos EUA de objetos que pertenceram a Mandela
O governo sul-africano recorreu, nesta terça-feira (8), ao máximo tribunal do país para tentar impedir o leilão, nos Estados Unidos, de objetos que pertenceram a Nelson Mandela, argumentando que fazem parte do patrimônio nacional.
Esta batalha judicial, iniciada há quatro anos, envolve 29 objetos, desde a carteira de identidade do herói da luta contra o apartheid até algumas das emblemáticas camisas do ex-presidente.
Uma casa de leilão americana, em colaboração com uma das filhas de Mandela, pretende colocar as peças à venda.
A Agência de Recursos Patrimoniais da África do Sul (SAHRA) e o Ministério da Cultura solicitaram ao Tribunal Constitucional que declarasse ilegais as vendas e a exportação destas peças, alegando que devem permanecer na África do Sul.
Estes objetos "são considerados bens patrimoniais e sua exportação sem autorização é ilegal", afirmaram, segundo um resumo do caso publicado pelo tribunal.
Anunciado inicialmente em 2021, o leilão organizado por Guernsey’s, uma casa de leilões com sede em Nova York, foi suspenso em 2022 após um processo iniciado pela SAHRA para recuperar o controle de alguns destes bens.
Após a Justiça sul-africana dar sinal verde para a venda, voltou a ser anunciado em 2024, antes de ser suspenso novamente, enquanto o governo seguia com suas gestões para tentar impedi-lo.
O Tribunal Supremo de Apelação rejeitou, em janeiro, as objeções da SAHRA, considerando que o organismo responsável pela proteção do patrimônio "deveria demonstrar em que medida cada um desses objetos constituía um bem patrimonial", segundo o resumo.
Makaziwe Mandela, uma das filhas de Mandela, havia autorizado a venda com o objetivo de financiar a construção de um jardim memorial perto do túmulo de seu pai, na aldeia de Qunu.
Entre os demais objetos estão peças de vestuário, escritos e presentes oferecidos por presidentes americanos, entre eles Barack Obama e Bill Clinton.
Mandela foi eleito o primeiro presidente da África do Sul democrática, em maio de 1994, e exerceu o cargo até junho de 1999. Morreu em dezembro de 2013, aos 95 anos.
K.al-Fadhala--BT