Venezuela consegue "trégua", mas requer reformas institucionais, diz HRW
A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, conseguiu uma "trégua" após anos de repressão, mas o país requer reformas institucionais urgentes, avaliou a ONG Human Rights Watch (HRW) nesta sexta-feira (18).
"Há uma pausa na repressão", disse Federico Borello, vice-diretor-executivo da Human Rights Watch, à imprensa internacional, após se reunir com a presidente em Caracas.
Mas, "neste momento político frágil, estes avanços só serão sustentados com reformas institucionais sólidas e a libertação de todos os presos políticos", acrescentou.
Uma delegação da ONG, com sede em Washington, retornou esta semana à Venezuela, 18 anos depois de o então presidente Hugo Chávez (1999-2013) expulsar José Miguel Vivanco, na época diretor para as Américas da organização, e restringir a entrada de missões internacionais independentes.
A Venezuela viveu uma onda de repressão que se intensificou após a controversa reeleição do presidente Nicolás Maduro, em 2024. Milhares de pessoas foram presas ou partiram para o exílio.
O retorno da organização ocorre oito meses depois da captura de Maduro em uma operação militar dos Estados Unidos.
Pressionado por Washington, o governo de Rodríguez promoveu desde fevereiro uma anistia que permitiu a libertação de 1.046 presos políticos, segundo seus próprios números. A ONG Foro Penal, no entanto, afirma que mais de 340 continuam atrás das grades.
A HRW também pediu o fechamento de El Rodeo, prisão temida que abriga presos políticos, além de uma reforma das forças de segurança e a investigação de funcionários por violações dos direitos humanos.
A organização defendeu, ainda, a necessidade de uma transição democrática. "Os venezuelanos merecem participar de eleições realizadas no devido tempo, livres e justas", afirmou Borello.
"Isso exige permitir urgentemente que os opositores políticos participem do processo político e concorram a cargos públicos", acrescentou.
W.al-Yousif--BT