Bahrain Telegraph - Rússia exige retirada das tropas ucranianas do Donbass antes de negociações em Abu Dhabi

Rússia exige retirada das tropas ucranianas do Donbass antes de negociações em Abu Dhabi
Rússia exige retirada das tropas ucranianas do Donbass antes de negociações em Abu Dhabi / foto: © POOL/AFP

Rússia exige retirada das tropas ucranianas do Donbass antes de negociações em Abu Dhabi

A Rússia reiterou, nesta sexta-feira (23), sua exigência de retirada das tropas ucranianas do leste da Ucrânia para resolver o conflito, antes das negociações trilaterais em Abu Dhabi entre representantes russos, ucranianos e americanos.

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O presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, concordou que a questão territorial continua sendo o principal ponto não resolvido e indicou que ela será abordada nas negociações agendadas para sexta-feira e sábado.

"As Forças Armadas da Ucrânia devem deixar o Donbass; elas devem se retirar. Esta é uma condição muito importante", declarou o porta-voz presidencial russo, Dmitri Peskov.

"Sem uma solução para a questão territorial (...) não faz sentido esperar pela conclusão de um acordo de longo prazo", acrescentou.

A Rússia exige a retirada completa das forças ucranianas do Donbass, uma região industrial e de mineração no leste da Ucrânia que inclui as regiões de Donetsk e Luhansk e é amplamente controlada por Moscou.

O Kremlin concentra suas exigências em Donetsk, que controla parcialmente e que continua sendo o epicentro dos combates que deixaram dezenas de milhares de mortos desde a invasão russa de fevereiro de 2022.

O encontro em Abu Dhabi ocorre um dia após duas reuniões de alto nível: uma em Davos entre Zelensky e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e outra em Moscou entre o presidente russo, Vladimir Putin, e os enviados dos EUA, Steve Witkoff e Jared Kushner.

Não há confirmação se as delegações russa e ucraniana negociarão pessoalmente, algo que não acontece desde novembro, quando Trump anunciou um plano de paz para buscar uma solução para o conflito.

A última rodada de negociações diretas ocorreu em julho de 2025 em Istambul, mas resultou apenas em um acordo para a troca de prisioneiros e dos corpos de soldados mortos.

"A questão do Donbass é fundamental", disse Zelensky nesta sexta-feira, acrescentando que o assunto seria discutido em Abu Dhabi.

- Europa "fragmentada" -

Na quinta-feira, Zelensky criticou seus aliados em um discurso no Fórum de Davos, descrevendo uma Europa "fragmentada" e "perdida", incapaz de influenciar as posições de Trump e sem "vontade política" para confrontar Putin.

A delegação russa será chefiada pelo general Igor Kostiukov, chefe do serviço de inteligência militar (GRU), informou o assessor diplomático do Kremlin, Yuri Ushakov, a jornalistas.

A Ucrânia será representada pelo secretário do Conselho de Segurança, Rustem Umerov; pelo chefe do gabinete presidencial, Kyrylo Budanov; seu vice, Sergi Kislitsya; pelo líder do partido presidencial, David Arakhamia; e pelo chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, general Andrii Hnatov.

Ushakov enfatizou que o encontro de quinta-feira entre Putin e Witkoff em Moscou "foi útil em todos os aspectos".

Outra reunião sobre questões econômicas também ocorrerá nesta sexta-feira em Abu Dhabi, entre Witkoff e o enviado do Kremlin para assuntos econômicos internacionais, Kirill Dmitriev.

"Estamos sinceramente interessados em uma solução para o conflito por meios políticos e diplomáticos", afirmou Ushakov. Porém, "até que isso aconteça, a Rússia continuará alcançando seus objetivos (...) no campo de batalha", acrescentou Ushakov.

Em Davos, o presidente ucraniano Zelensky teve uma breve reunião na quinta-feira com Trump, que descreveu como "positiva", embora tenha reconhecido que o diálogo foi "complexo".

Ainda assim, ele afirmou que foi alcançado um acordo sobre as garantias de segurança que os Estados Unidos devem oferecer à Ucrânia para dissuadir a Rússia de lançar novos ataques após um eventual fim do conflito.

Nos últimos meses, Moscou intensificou os ataques contra a rede elétrica ucraniana, causando apagões massivos, principalmente na capital, em pleno inverno.

Drones russos também mataram quatro pessoas, incluindo uma criança de cinco anos, na madrugada desta sexta-feira na vila de Cherkaske, na região de Donetsk, disseram autoridades locais.

X.al-Nasser--BT