Bahrain Telegraph - Irã dispara mísseis 'de advertência' perto de destróieres dos EUA em Ormuz

Irã dispara mísseis 'de advertência' perto de destróieres dos EUA em Ormuz
Irã dispara mísseis 'de advertência' perto de destróieres dos EUA em Ormuz / foto: © AFP

Irã dispara mísseis 'de advertência' perto de destróieres dos EUA em Ormuz

A Marinha iraniana disparou mísseis de cruzeiro, foguetes e drones de combate perto de destróieres dos Estados Unidos que atravessavam o Estreito de Ormuz nesta segunda-feira (4), informou a televisão estatal.

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A Marinha afirmou ter identificado destróieres americanos no Estreito de Ormuz e disparado múltiplos tiros de advertência. Acrescentou que, "após o desrespeito dos destróieres sionistas-americano à advertência inicial, a Marinha efetuou um tiro de advertência disparando mísseis de cruzeiro, foguetes e drones de combate ao redor das embarcações inimigas agressoras".

As forças militares dos EUA, por sua vez, informaram que dois destróieres haviam entrado no Golfo.

A agência de notícias iraniana Fars havia informado mais cedo que Teerã disparou dois mísseis contra uma fragata do Exército americano, mas o Comando Central dos EUA (Centcom) negou a informação e afirmou que nenhum de seus navios foi atingido.

Enquanto isso, os Emirados Árabes Unidos relataram um ataque com drones iranianos contra um petroleiro pertencente à sua empresa estatal, a Adnoc, no Estreito de Ormuz, enquanto a embarcação navegava na costa de Omã. A empresa afirmou que o ataque não causou vítimas.

Teerã praticamente fechou a navegação por esta passagem crucial para o tráfego global de hidrocarbonetos desde que os Estados Unidos e Israel lançaram ataques contra o Irã em 28 de fevereiro. Em retaliação, Washington mantém um bloqueio naval aos portos iranianos.

No domingo, Trump anunciou uma nova operação marítima no estreito, que denominou "Projeto Liberdade", e a descreveu como um gesto "humanitário" destinado a auxiliar marinheiros isolados na área, que podem estar ficando sem comida e outros suprimentos essenciais.

De acordo com a operação, a Marinha dos EUA escoltaria navios de países "que não têm nada a ver com o conflito no Oriente Médio" através do Estreito de Ormuz a partir da manhã desta segunda-feira (horário local), afirmou o presidente americano.

O Irã respondeu com ameaças.

"Advertimos que qualquer força armada estrangeira, especialmente as forças militares agressivas dos EUA, será atacada se tentar se aproximar ou entrar no Estreito de Ormuz", declarou o general Ali Abdollahi, chefe do comando central do Exército iraniano, nesta segunda-feira.

"Os americanos precisam entender que não podem recorrer a ameaças e à linguagem da força contra a nação iraniana", afirmou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmaeil Baqaei.

"A República Islâmica do Irã demonstrou que se considera a guardiã e protetora do Estreito de Ormuz", acrescentou, enfatizando que, antes do conflito, a hidrovia era "segura".

- Petróleo se estabiliza -

As repercussões do conflito continuam abalando a economia global.

Os preços se estabilizaram nesta segunda-feira nos mercados, com o petróleo Brent, referência global, próximo dos 110 dólares por barril, bem abaixo dos 126 dólares atingidos na quinta-feira – o maior valor desde 2022, quando os preços dispararam após a invasão da Ucrânia pela Rússia.

Segundo a empresa de rastreamento marítimo AXSMarine, em 29 de abril, havia 913 embarcações comerciais de todos os tipos no Golfo. A situação pode afetar quase 20.000 marinheiros, segundo um funcionário da agência britânica de segurança marítima UKMTO.

A situação entre Irã e Estados Unidos permanece estagnada desde que o cessar-fogo entrou em vigor em 8 de abril, após quase 40 dias de ataques de Israel e dos Estados Unidos contra o Irã e de ataques retaliatórios iranianos contra as monarquias do Golfo aliadas a Washington.

Islamabad recebeu uma rodada de negociações em 11 de abril, que terminou sem um acordo, pois as posições permanecem muito divergentes em relação ao Estreito de Ormuz, onde o Irã quer impor pedágios à passagem de navios, e ao programa nuclear da República Islâmica.

Nesta segunda-feira, o Irã pediu aos Estados Unidos a adoção de "uma abordagem razoável" e o abandono das "exigências excessivas", após receber uma resposta de Washington à sua nova proposta no âmbito das negociações de paz entre os dois países.

"Nesta fase, nossa prioridade é acabar com a guerra", disse Esmaeil Baqaei.

O Irã apresentou uma nova proposta de paz a Washington esta semana. Segundo a agência de notícias oficial Tasnim, a proposta de 14 pontos pede o fim do conflito em todas as frentes e estabelece condições para a reabertura do Estreito de Ormuz.

A guerra provocou milhares de mortes, principalmente no Irã e no Líbano, onde Israel continua seus ataques contra o movimento pró-iraniano Hezbollah, apesar de um cessar-fogo.

O líder do Hezbollah, Naim Qasem, condenou as operações israelenses em curso, apesar do cessar-fogo que entrou em vigor em 17 de abril, e reiterou sua rejeição a negociações diretas entre Israel e Beirute, que haviam sido aceitas em princípio pelo presidente libanês, Joseph Aoun.

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