Chefe da ONU 'lamenta' recusa dos EUA em conceder vistos a dirigentes palestinos
O secretário-geral da ONU, António Guterres, "lamenta profundamente" a decisão dos Estados Unidos de negar, pelo segundo ano consecutivo, um visto ao presidente palestino, Mahmoud Abbas, para participar na próxima semana da Assembleia Geral da ONU, informou seu porta-voz nesta sexta-feira (18).
"O secretário-geral está preocupado com o impacto dessa decisão sobre a capacidade do Estado da Palestina de participar plenamente dos trabalhos das Nações Unidas", acrescentou Stéphane Dujarric.
Na quinta-feira (17), o Departamento de Estado americano anunciou que não concederia vistos à delegação palestina, incluindo Abbas, em protesto contra a falta de reformas por parte dos palestinos.
Apenas os representantes da missão palestina na ONU poderão participar do maior encontro anual da organização.
"A plena participação de todas as delegações nos trabalhos da ONU é essencial para seu funcionamento adequado", observou Dujarric.
Guterres voltou a pedir aos Estados Unidos, país anfitrião, que "garantam a emissão de vistos para todas as delegações, de acordo com suas obrigações", e afirmou que "continuará colaborando com as autoridades americanas para esse fim", segundo seu porta-voz.
Em resposta à decisão americana, os Estados-membros da Assembleia Geral da ONU aprovaram na quinta-feira uma resolução que autoriza o presidente da Autoridade Palestina a discursar na Assembleia por meio de um vídeo pré-gravado.
Segundo o texto, aprovado por 152 votos a favor, três contrários — Estados Unidos, Paraguai e Israel — e quatro abstenções, Abbas também poderá participar por videoconferência de qualquer reunião pertinente organizada na próxima semana na sede da ONU.
Washington acusa Abbas de descumprir "compromissos em favor da paz no Oriente Médio" e de adotar "ações" destinadas a internacionalizar o conflito israelense-palestino, especialmente por meio do Tribunal Penal Internacional (TPI) e da Corte Internacional de Justiça (CIJ).
Segundo a Casa Branca, a Autoridade Palestina "busca contornar as negociações" de paz ao solicitar um reconhecimento unilateral e continua fazendo "pagamentos a terroristas" e glorificando "atos de terrorismo e terroristas em declarações públicas e nos livros didáticos".
Essa posição coloca os Estados Unidos em uma posição contrária à de vários países, entre eles a França, que no ano passado reconheceu a existência do Estado da Palestina, elevando para 142 o número de Estados-membros da ONU que se manifestaram no mesmo sentido.
S.al-Jaber--BT