Ataques russos deixam dois mortos na capital da Ucrânia
Pelo menos duas pessoas morreram nesta quinta-feira (24) em uma série de ataques russos com mísseis contra a capital ucraniana, Kiev, onde jornalistas da AFP ouviram dezenas de explosões violentas.
O ataque contra Kiev ocorre um dia após uma série de bombardeios russos que miraram particularmente a infraestrutura de transporte, ferroviária e marítima, causando sete mortes.
“A capital está sendo atacada por mísseis balísticos. Permaneçam nos abrigos!”, escreveu no Telegram o prefeito de Kiev, Vitali Klitschko.
O presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, afirmou pelo Telegram que “os principais alvos do ataque foram Kiev e as infraestruturas civis: edifícios residenciais, uma sala de maternidade, instalações de energia e infraestruturas logísticas”.
“Já se sabe que duas pessoas morreram”, lamentou o presidente, que na quarta-feira declarou perante a Assembleia Geral da ONU, em Nova York, que suas forças atingiriam as instalações russas de aquecimento e energia durante o inverno.
Já o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, informou ao Conselho de Segurança da ONU que não haverá uma pausa na guerra, e acusou a Europa de buscar interromper o conflito para "armar o regime de Kiev".
A capital ucraniana é alvo há dias de bombardeios com drones, em meio à intensificação dos ataques de longo alcance por ambos os lados na linha de frente.
Nesta quarta-feira, pelo menos duas pessoas morreram em Kiev e outras 43 ficaram feridas em bombardeios que danificaram, entre outros locais, um posto de gasolina, um centro comercial e várias lojas, segundo as autoridades municipais.
O diretor do serviço de ferrovias do país, Oleksandr Pertsovsky, informou que a rede ferroviária de Kiev estava "sob fogo" e pediu "máxima vigilância" aos passageiros.
Na região de Odessa, no sul, um ataque russo atingiu um cargueiro com bandeira de Antígua e Barbuda e matou seu capitão ucraniano, informou o governador Oleg Kiper.
O ataque também visou diversas instalações civis e provocou vários incêndios em armazéns de medicamentos e alimentos, acrescentou ele no Telegram.
O Ministério russo da Defesa afirmou, por sua vez, ter atacado um navio de carga que transportava "remessas de uso militar" para o porto de Odessa, assim como um armazém de componentes para drones em uma localidade da região.
- "Inverno doloroso" -
Após as declarações de Lavrov sobre a posição da Rússia, Zelensky disse na ONU que seu país voltará a atacar. "Os ucranianos entendem que este inverno pode ser muito difícil para nós, mas, em resposta, não teremos outra alternativa senão que ele também seja doloroso para a Rússia."
O chefe da diplomacia ucraniana, Andrii Sibiga, também acusou Moscou, nesta quarta-feira, de ter como alvo "os principais centros de dados ucranianos" e de "buscar perturbar a circulação de informação".
No mesmo dia, cerca de 100 mil residências tiveram problemas de acesso à internet devido aos ataques russos, segundo Kiev.
Por sua vez, a Ucrânia intensificou seus ataques na Rússia, sobretudo a refinarias e depósitos de petróleo, armazéns dos gigantes do comércio eletrônico Wildberries e Ozon, bem como cargueiros que navegam a partir de portos russos no Mar Negro.
Pelo menos 226 navios civis e comerciais foram atingidos nesta via desde o início da invasão russa da Ucrânia, em fevereiro de 2022, segundo a Câmara de Comércio Marítimo da Turquia, Imeak.
Quase 70% dos 163 ataques aconteceram nos primeiros oito meses deste ano.
- Ataques no Mar Negro -
A intensificação dos ataques russos neste ano levou a um bloqueio quase total das exportações ucranianas pelo Mar Negro, o que causou prejuízos graves para a economia desse país.
Durante uma reunião entre Zelensky e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em Nova York, no mesmo dia, ambos falaram sobre "possíveis medidas de desescalada que possam abrir caminho para a diplomacia".
O secretário de Estado americano, Marco Rubio, pediu hoje que Moscou e Kiev encerrem os bombardeios recíprocos contra as infraestruturas de energia, enquanto Trump acusa Zelensky de agravar a escassez mundial de diesel ao atacar as refinarias russas.
Rubio anunciou que os Estados Unidos convidaram Vladimir Putin para participar da reunião de cúpula do G20 em Miami, em dezembro.
S.al-Jaber--BT