Rússia se mostra aberta a negociar com Ucrânia, mas reduz otimismo de Trump
Rússia e Ucrânia se disseram dispostas, nesta quarta-feira (21), a participar de negociações trilaterais mediadas pelos Estados Unidos, o que levou o presidente americano, Donald Trump, a afirmar que o fim da guerra nunca esteve “tão próximo”. O otimismo, porém, foi rapidamente moderado por Moscou.
O enviado dos Estados Unidos, Steve Witkoff, reuniu-se com Putin durante quase três horas em São Petersburgo nesta quarta.
O encontro ocorreu um dia depois de Witkoff se reunir com líderes europeus e com o presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, que pediu a suspensão dos ataques como primeiro passo rumo a eventuais negociações.
Segundo Yuri Ushakov, assessor do Kremlin, Moscou está disposto a retomar as negociações trilaterais com Kiev e Washington "por volta de 10 de novembro", ou seja, após as eleições de meio de mandato nos Estados Unidos.
Zelensky, por sua vez, declarou-se "favorável" nesta quarta à realização desse encontro "o mais rápido possível".
No entanto, em um sinal de que as posições dos países em guerra continuam distantes, Ushakov afirmou que as propostas para pôr fim ao conflito, formuladas por Kiev e seus aliados europeus na véspera, em Oslo, e transmitidas a Putin por Witkoff, são vagas e carecem "de conteúdo".
Apesar dessas palavras, Trump mostrou-se otimista quanto a um eventual fim da guerra entre a Ucrânia e a Rússia.
“Outro dia eu estava conversando com Vladimir Putin sobre como pôr fim à guerra dele com a Ucrânia e acho que estamos chegando lá, aliás; talvez nunca tenhamos estado tão perto”, disse o republicano a jornalistas na Casa Branca.
- Americano libertado -
O assessor do Kremlin também mencionou um possível encontro entre Putin, Trump e o presidente chinês, Xi Jinping, em Shenzhen, na China, à margem da cúpula do Fórum de Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (Apec), em novembro.
À margem da reunião desta quarta-feira, a Rússia anunciou a libertação de um cidadão americano e a iminente partida do primeiro navio carregado com diesel russo rumo aos Estados Unidos.
Witkoff classificou Putin como "humanitário" após o anúncio da libertação de Stephen Hubbard, um professor de inglês aposentado de 75 anos, condenado em um julgamento a portas fechadas, em outubro de 2024, a quase sete anos de prisão por "atividades mercenárias" em favor da Ucrânia.
As declarações do enviado de Trump causaram irritação nas fileiras democratas e republicanas.
Segundo o presidente, a libertação ocorreu sem "contrapartidas", e Hubbard já está "a caminho" dos Estados Unidos.
A última rodada de negociações tripartites, em fevereiro, não resultou em nenhum avanço diplomático. Foi suspensa após o início da guerra no Oriente Médio, desencadeada pelos ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã.
No plano econômico, Trump anunciou no início de outubro um acordo entre Washington e Moscou para o fornecimento de diesel russo, que implicou a suspensão de sanções contra a Rússia e foi duramente criticado por Kiev e seus aliados.
Trata-se de uma tentativa de reduzir os preços dos combustíveis para os consumidores americanos antes das eleições legislativas de meio de mandato, em 3 de novembro, nas quais os republicanos podem perder o controle do Congresso.
Segundo Putin, o primeiro navio petroleiro carregado com 40 mil toneladas de diesel russo com destino aos Estados Unidos partirá em "dois ou três dias".
- Tensões entre Kiev e Washington -
A reunião ocorreu em um momento complicado na relação entre Washington e Kiev, que considera que os americanos passaram a apoiar a Rússia.
Nos últimos dias, Zelensky acusou os Estados Unidos de atrasar deliberadamente a entrega prevista de mísseis interceptadores Patriot, essenciais para neutralizar mísseis balísticos e drones russos.
No entanto, na terça-feira, o mandatário ucraniano comemorou o fato de que o compartilhamento de informações de inteligência com os EUA "agora funciona", permitindo à Ucrânia receber alertas antecipados sobre bombardeios russos.
Washington nega ter prejudicado deliberadamente a Ucrânia, ordenando a interrupção do compartilhamento de informações de inteligência ou limitando o funcionamento do serviço de comunicação por satélite Starlink.
Enquanto isso, a Rússia voltou a bombardear, durante a noite, o setor energético, a rede ferroviária e edifícios residenciais na Ucrânia, deixando pelo menos quatro mortos, segundo Kiev.
T.al-Shamlan--BT