Europa aposta em robôs inteligentes para competir com China e EUA
Diante de um mercado dominado pela concorrência chinesa e americana, laboratórios europeus de robótica reivindicam seu espaço e deram uma demonstração nesta quarta-feira (2) de modelos capazes de limpar, entregar pacotes e realizar outras tarefas.
No Parlamento Europeu, quatro robôs de assistência a humanos, desenvolvidos pelo instituto francês INRIA e pelo Centro Aeroespacial Alemão (DLR), levaram dez minutos para se coordenar e retirar, de forma totalmente autônoma, tudo o que havia sobre uma grande mesa de café da manhã.
Enquanto um deles organiza os armários e limpa com uma esponja, os outros guardam o suco de laranja e o leite na geladeira, jogam fora as embalagens vazias e colocam a louça na máquina de lavar.
Os movimentos são lentos e, às vezes, exigem várias tentativas. Isso é normal, ressalta Serena Ivaldi, do INRIA, porque os robôs foram projetados "para atuar em um ambiente humano" sem incomodar as pessoas que auxiliam e priorizam a precisão em vez da rapidez.
- "Transformer" -
KYON, um robô quadrúpede do Instituto Italiano de Tecnologia (IIT) projetado para tarefas de logística, fez sua primeira aparição pública: flexionou as pernas para pegar um pacote e deu alguns passos para entregá-lo a uma pessoa.
Sob aplausos, o robô conhecido como "Transformer", do Instituto Federal de Tecnologia de Zurique (ETH Zurich), na Suíça, reposicionou seus quatro membros em questão de segundos para mudar de forma e de função.
Ele passou de uma configuração quadrúpede para outra, bípede e humanoide, sem perder o equilíbrio. Depois, voltou a se apoiar nas quatro pernas, caminhou lateralmente e subiu e desceu degraus sem dificuldade.
"Nossa visão é que, dentro de dez anos, a Europa terá desenvolvido um importante setor de robótica, de tamanho comparável ao de sua atual indústria automobilística, e poderá conquistar um terço do mercado mundial de robôs inteligentes nesse período", declarou Alin Albu-Schäffer, coordenador da rede europeia euROBin, que organizou o evento em Bruxelas.
- "Próxima revolução industrial" -
A China, por sua vez, investe maciçamente em robôs humanoides e exibiu sua capacidade tecnológica nos "World Robot Games", no fim de agosto, em Pequim, onde uma de suas máquinas superou o recorde de Usain Bolt nos 100 metros.
"A robótica tem uma importância fundamental para nós hoje e para o nosso futuro, e a Europa enfrenta uma escolha: podemos assistir como espectadores à próxima revolução industrial ou decidir que a Europa seja sua arquiteta", ressaltou o eurodeputado Axel Voss, do Partido Popular Europeu (PPE, direita), defensor da soberania digital europeia.
"Temos um problema: muitas vezes somos muito bons em inventar tecnologias, mas nem tanto em transformá-las em empresas globais. Estados Unidos e China ganham escala rapidamente, o capital flui para outros lugares e cada vez mais empresas de fora da Europa moldam o mercado mundial da robótica", afirmou o representante alemão.
P.al-Jassim--BT