Mendonça suspende diretor-geral da PF em meio a crise no Judiciário
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), ordenou nesta terça-feira (8) a suspensão do diretor-geral da Polícia Federal (PF), em um novo episódio da crise desencadeada por um esquema de fraude que abala o país a menos de um mês das eleições presidenciais.
O escândalo aumentou na semana passada, com a divulgação de um relatório policial que revelou mensagens do banqueiro Daniel Vorcaro a um número atribuído ao ministro Alexandre de Moraes, nas quais ele pedia ajuda para escapar de uma investigação que levou à sua prisão em novembro, por suspeita de fraude financeira envolvendo o Banco Master. As mensagens foram divulgadas por ordem de Mendonça, relator do caso Master.
Mendonça acusou hoje a Polícia Federal de ter espionado ilegalmente suas próprias ações como ministro por meio de relatórios de inteligência secretos.
Em sua decisão, à qual a AFP teve acesso, Mendonça classificou como de "superlativa gravidade" a vigilância de que foi alvo e a comparou ao romance distópico "1984", de George Orwell.
O magistrado decidiu pela "suspensão cautelar" do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, bem como do chefe de inteligência do órgão, Leandro Almada da Costa.
Segundo Mendonça, os relatórios da PF eram anônimos e sem rigor técnico, além de conterem especulações sobre a vida política e pessoal de ministros e funcionários.
A Advocacia-Geral da União (AGU) apresentou um recurso à presidência da corte para que reverta a suspensão de Rodrigues. "A descontinuidade abrupta na gestão do órgão compromete o funcionamento das atividades de polícia judiciária e gera risco de desorganização institucional", advertiu em nota.
O presidente da corte, Edson Fachin, deu a Mendonça três dias para se manifestar sobre o pedido da AGU.
- Eleições -
O embate inédito no STF se agrava a menos de um mês das eleições de outubro, nas quais o presidente Lula tentará a reeleição frente ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Mendonça foi indicado ao Supremo pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (2019-2022), pai de Flávio, que apoiou a decisão do ministro.
No campo do presidente, a interpretação foi oposta. “O Brasil está mergulhando em um crise institucional sem precedentes na história do país”, declarou à AFP Marco Aurélio de Carvalho, coordenador jurídico da campanha de Lula.
“Não podemos permitir que funções públicas sejam novamente capturadas por interesses políticos e eleitorais”, acrescentou Carvalho.
O diretor-geral interino da PF, William Murad, manifestou hoje “a total confiança” da instituição em Rodrigues. Onze chefes de divisões da corporação colocaram seus cargos à disposição e questionaram em uma carta “as narrativas marcadamente influenciadas por interesses político-eleitorais” que levaram ao afastamento do diretor.
K.al-Ansari--BT